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Entrevista com Emerson Ferrandini, realizada dia 26 de outubro de 2005


Meu amigo, não é que você não sai bem em foto.. é que é isso mesmo...

Por Tatiane Cotrim




Emerson Ferrandini deu aula por nove anos no curso de design das faculdades Belas Artes, FMU e Unip. Hoje trabalha com caricaturas feitas na hora com aerógrafo em eventos. Nessa entrevista ele conta como é trabalhar em eventos e com crianças, além de como as pessoas costumam lidar com a caricatura.

Desenho Livre: Você chegou a fazer faculdade?

Emerson Ferrandini: Sim. Fiz Desenho Industrial na Belas Artes e pós-graduação em artes, com ênfase em design. Estudei mecânica no 2º grau, em escola técnica. Meu pai foi aquele cara que viveu dentro da metalúrgica, e a orientação que ele deu para os seus 3 filhos homens foi a de que seguissem o mesmo caminho. Então eu fiz escola técnica e depois desenho industrial. Fiz a faculdade, certinha, estágio na GM e fui trabalhar como designer de indústria automobilística. Só que eu comecei a trabalhar e não calhou legal. Então eu deixei a empresa e fui dar aula. Comecei na Belas Artes, de onde eu era ex-aluno. Comecei com duas aulas por semana, até a carga horária aumentar e eu chegar a ter aula seis dias por semana, inclusive aos sábados, o dia inteiro.

Nessa época fui com a minha esposa para os parques de Orlando: Disney, Epcot, Universal, MGM. Quando eu cheguei lá eu vi um quiosque com caricaturista. Fiquei alucinado, porque eu trabalhava com aerógrafo, mas para design de produto, que é a minha formação. Lá eu vi o caricaturista utilizando o aerógrafo para caricatura. Tinha quiosque em todos os parques. Em cada parque que íamos os vimos trabalhar. Eu fiz uma caricatura com eles e tal... foi quando pensei: “pô , é isso que eu quero fazer”. Quando eu voltei, em 2000, falei: “vou começar a mexer os meus pauzinhos para fazer isso até eu conseguir criar coragem para fazer esse trabalho”, porque a orientação que eu tive foi para ser empregado. Viver como artista, como um autônomo prestador de serviço, era totalmente contra a educação que eu tive. Até eu romper isso demorou um pouco.

Foi aí que comecei a deixar os alunos. Aluguei um espaço na feirinha de domingo do Shopping Paulista e comecei a fazer caricatura. Eu trabalhava de segunda a sábado e domingo ficava o dia inteiro no Shopping Paulista. Desde então fui pedindo para diminuirem a minha carga horária de aulas nas faculdades, até que em julho deste ano eu tinha apenas uma noite de aula por semana. Dava quatro aulas às segundas à noite e ainda assim já estava difícil para conciliar com os eventos. Por isso parei de dar aula este semestre e hoje estou só com os eventos.

DL: Mas tudo correu de forma gradual, não?

Ferrandini: Sim, foi gradativo. Eu não rompi. O que foi 8 e 80 foi a questão de eu querer deixar de ser professor e querer ser caricaturista. Então comecei dando tiro para todo lado e depois me achei dentro da caricatura.

DL: E o seu pai ficou bravo com essa história?

Ferrandini: Bravo não porque eu já sou meio grandinho. Mas meus pais estranharam um pouco. Ficaram receosos, porque eles me deram uma educação diferente, mas que dentro da realidade deles é o que acreditavam funcionar melhor. Como prestar serviço? Na verdade foi uma insegurança deles e que acabou sendo passada para mim. Foram três anos de terapia para romper isso. Hoje em dia, felizmente estou com a agenda lotada de eventos e outros vão surgindo.

DL: Quais tipos de eventos você faz?

Ferrandini: Todo tipo que você imaginar. Comecei fazendo muita festa infantil. Aí parti para confraternização de empresas. Hoje em dia é muito comum ter um caricaturista que trabalha em preto em branco, ao vivo em um evento. Dá para listar uns trinta caras que fazem isso hoje no mercado. Só que quando eu comecei, segui duas estratégias para entrar no mercado: cobrar um preço menor e fazer um trabalho que ninguém fazia e ninguém faz até hoje. Isso já me diferenciou. Rapidinho eu consegui equiparar o meu preço, só que mesmo assim, no papel, é muito comum você se deparar com caricaturistas. Então comecei a fazer em camisetas. Aqui em SP existe somente um cara que faz esse trabalho com aerógrafo em camisetas.
Agora o meu trabalho está migrando. Ele está saindo de festa infantil e está indo para feiras, congressos, eventos de empresas, esse tipo de coisa. Estou focando mais nisso agora.

DL: Você trabalha também com mercado editorial?

Ferrandini: Eu faço alguns trabalhos como ilustrador, aqui no estúdio, para o jornal do Conselho Regional de Administração. Uma vez por mês o jornal me manda quatro pautas e me dá dois dias. Eu faço e mando por e-mail. Uma coisa bem legal foi que logo que comecei o Ziraldo relançou o Pasquim, e as pessoas podiam mandar livremente uma charge. Só que por semana chegavam entre 300 e 350 charges do Brasil inteiro. E na primeira vez que eu tive coragem de mandar o meu material, mandei duas charges. Uma foi publicada. Eles publicavam 10 ou 8 por semana. Lembro que fiquei contente pra caramba. Eu saí para dar aula, parei na banca e vi meu nome na capa: “Divirta-se com os cartuns de”, e tinha os nomes dos caras que eu boto lá em cima, que falo “nossa, esses caras são bons demais!” E estava o meu nome junto.

DL: Como quem por exemplo?

Ferrandini: Ah, Angeli, Dáucio, Aron, Gilmar, Mastroki. Eu mandei, mas o mercado editorial é muito difícil. Então comecei a cair para eventos, naturalmente. Eu me identifico mais com isso. Consigo ficar no escritório um dia, dois dias, três dias, mas depois eu começo a sentir falta de ir para um lugar fazer evento. Gosto de trabalho ao vivo.


DL: Você gosta de ver as pessoas, fazer o trabalho ali na hora… Como as pessoas lidam com a própria caricatura?

Ferrandini: Meu trabalho é mexer com a imagem das pessoas. Eu costumo dizer que na caricatura você ri de si mesmo. É muito interessante a maneira como as pessoas lidam com a própria imagem. Tem gente que é bem resolvida, sabe quais são seus pontos fracos, sabe quais são os pontos de seu rosto que não gosta e tá afim de rir disso. Essa é a melhor pessoa para fazer caricatura.

Agora é muito comum ela falar que aquilo não a retrata, que não está parecido ou então falar que não ficou engraçado, enfim. Porque todo mundo tem algo que não gosta no rosto; no mínimo uma – tem gente que tem mais (risos). E o meu trabalho é exatamente esse: me concentrar no que sai do padrão no seu rosto. O que sai do padrão é o que eu vou brincar. Uma orelha grande, uma orelha torta, um nariz grande, um olho grande, uma boca pequena. Se é grande eu aumento, se é pequeno eu diminuo, se tem uma particularidade da pessoa que marca a sua expressão, eu vou explorar exatamente isso.

A gente chega em frente ao espelho e olha somente o que interessa em nosso rosto. Aquilo que não interessa você ignora e tenta acreditar que não é daquela forma. E o caricaturista chega e fala: “olha, isso aqui é assim. Eu vou até exagerar para você entender, mas é assim.” A mesma coisa da moçada que fala que não sai bem em foto. Meu amigo, não é que não sai bem, é porque é aquilo ali.
Na verdade, a imagem que temos de nós mesmos não é real. Você só se vê em um ângulo, que é o de frente. É muito comum a pessoa sentar na minha frente e dizer do que não gosta em si. Ela senta e fala: “eu acho que minha orelha é muito grande.” Eu olho e a orelha da pessoa é enorme. Ou seja, ela já sabe. Todo mundo sabe o que pega, o que gostaria de ter de diferente.

DL: Mas aí você faz uma orelha enorme?

Ferrandini: Faço (risadas). Ela que sentou na minha frente, então ela está disposta a brincar. Mas tem uma diferença. Você pode fazer uma caricatura que não cause constrangimento. É o quanto você vai ser satírico. Tem caricatura que é menos satírica, é uma bricadeirinha; e tem caricatura que dá para perder a amizade. Isso também você percebe com a experiência, quando a pessoa senta na sua frente. Quando ela relaxa você pode brincar mais.

DL: Eu tenho um amigo que não é caricaturista, e sim ilustrador, mas pediram uma caricatura para ele. Ele fez, mais por brincadeira. A caricatura foi para uma empresa e justamente para a diretoria. Quando ele mandou, o diretor disse: “não, assim eu não quero. Muda isso, muda aquilo.” Ele me disse que pediram para mudar tanto que virou um retrato, não era mais uma caricatura.

Ferrandini: Isso é muito comum. Até porque o diretor ainda tem medo do chefe dele, o presidente. É como tratar com mãe. Ela manda a foto do filho dela, que tem três anos, e quer que você concerte tudo que o moleque tem de errado. E ainda quer que fique parecido com ele. É super comum. Ainda mais neste caso, que uma pessoa está hierarquicamente no topo, super preocupado com a sua imagem. A caricatura tem que ser no máximo a cabeça grande e o corpo pequeno, para dar uma satirizada mínima, light. Mas isso não é caricatura, é retrato.

DL: Com quais tipos de pessoas você encontra maiores dificuldades?

Ferrandini: Ah, é muito comum você mandar a caricatura e a pessoa falar: “Não daria para você diminuir um pouco o nariz ou mexer um pouco na orelha?” Quando eu pegava encomenda para fazer, eu falava: “olha, eu irei te mandar o esboço por e-mail, você aprova e eu finalizo, porque o meu trabalho é com aerógrafo e eu vou ficar um tempão aqui na prancheta.”

Noiva também é outro problema. Mulher é mais encanada, o homem é um pouco mais relaxado. A mulher é mais detalhista com o seu rosto. Ela sabe extamente a linha do rosto que ela não gosta. Eu já tive comentário de e-mail que voltou e a menina disse que o sentido do pêlo da sobrancelha dela não era igual ao que eu fiz na caricatura.

DL: Você já passou por alguma situação delicada com as suas caricaturas?

Ferrandini: Você percebe quando a pessoa não gosta da caricatura. Em geral, se a pessoa não gostar ou não gostar muito ela segura. Porque ela aceitou e estava correndo o risco. Mas eu tive uma situação, bem no início, quando eu não tinha muita experiência e pegava mais pesado nas caricaturas. Lembro que cheguei em uma mesa em que estavam dois casais. O dono da festa tinha me contratado e falou: “Aborda e pergunta se a pessoa quer ou não.” Eu perguntei e uma das meninas quis. Eu sentei e em uns três, quatro minutos eu fiz a caricatura. Antes de entregar para ela eu entreguei para o namorado ver. Ele não gostou e não a deixou ver. Dobrou a caricatura e deixou de lado. Foi desagradável. Aí eu pedi licença e saí da mesa.

Eu tenho um amigo caricaturista que não alivia para ninguém. Ele pega pesado mesmo. Ele me contou que em uma situação a pessoa rasgou o desenho na frente dele. Tem de tudo que você imaginar, mas isso é minoria. Hoje em dia as pessoas entendem mais. Eu trabalho com todos os públicos que você imaginar. Eu já trabalhei na Cohab do Itaquera; no Leopolldo, no Itaim; em evento para caminhoneiro, com uma fila enorme na minha frente; já trabalhei em casamento no Rio e, independente do nível de formação, as pessoas sabem o que é caricatura. Cada uma entende de uma maneira, mas elas sabem que aquilo é um retrato divertido.

DL: Qual a importância de trabalhar com desenho, com arte?

Ferrandini: A importância é que me alegra a alma. Por meio da minha habilidade eu consigo gerar sorrisos. Sucintamente é isso, me alegra a alma. Agora se eu for criar um propósito para isso, é que eu consigo divertir as pessoas com o meu trabalho. Para mim não tem nada mais legal do que estar em um evento de empresa, por exemplo, com uma roda a minha volta dando palpites e sugestões, querendo que eu acabe com aquele cara lá do escritório. Eu, fazendo um desenho simples – porque para o desenhista é um desenho simples – consigo divertir ao mesmo tempo uma série de pessoas a minha volta.
Uma vez eu ouvi uma frase: “Atividade existe, basta você dar um sentido para ela”. Se tiver que dar um sentido para o que eu faço, é que eu consigo divertir as pessoas com a caricatura. Fora que eu nasci pra isso. Saio para trabalhar em evento sábado à noite, por exemplo. Depois, domingo à tarde, entro em um buffet infantil e fico quatro horas ouvindo Xuxa e Sandy e Junior, no talo. Mas quando eu saio de casa eu não saio com a sensação de que eu estou indo trabalhar. Eu não trabalho com aquele sentido escravo e indigesto da coisa.

DL: Como é o dia-a-dia do caricaturista?

Ferrandini: Eu não tenho rotina. Geralmente o desenhista é um solitário. Ele fica no estúdio, com uma musiquinha… Eu gosto muito disso. Gosto muito de ficar sozinho. Tanto que eu já fiz quatro viagens de bicicleta sozinho. Quando estou em um evento rodeado de gente também estou sozinho, porque não conheço ninguém. Esta época do ano é muito corrida, devido aos eventos nas empresas. Às vezes passo uma semana aqui no escritório e às vezes passo duas semanas sem aparecer.

O caricaturista que trabalha ao vivo é meio tido, no mercado, como um cara que não deu certo; ou melhor, que não conseguiu entrar no mercado editorial. É como a imagem que algumas pessoas têm do professor. “Ah, o cara não sabe fazer nada e foi dar aula.” Tem aquela frase, se não me engano do João Ubaldo Ribeiro, “quem sabe faz, quem não sabe ensina.” E isso não é verdade, porque tem gente que nasceu para tratar com o público, para fazer o trabalho ao vivo. E eu me identifico com isso.

Participo de um bate-papo com os amigos e ninguém tem claro quem é ilustrador, quem é desenhista, quem é cartunista. Existe uma certa névoa que diz que quem trabalha ao vivo, na praça, na rua, é porque não consegue trabalho em outro lugar. Quem faz trabalho ao vivo tem que gostar de gente, tem que gostar desse contato direto com todas as idades e culturas. Às vezes eu me sinto muito solitário nos eventos, principalmente com muita gente. Eu não conheço ninguém. A pessoa senta, fica três minutos na minha frente, me agradece e vai embora. Quando agradece (risos). Quem me dá uma força é o cliente ou a agência que me contratou.

DL: Normalmente os profissionais que trabalham com o mercado editorial dizem que muitas vezes os profissionais de rua, de praças são pessoas que cobram mais barato porque não têm que sustentar um estúdio, não têm que pagar contador, enfim. Por cobrar um preço mais barato eles acabam até por baixar o preço de mercado da profissão. O que você pensa sobre isso?

Ferrandini: Eu não concordo. Eu acho que quem cobra barato é porque sabe que o seu trabalho vale menos. Eu cobro R$100 por hora de trabalho. Eu sei de caricaturista que cobra R$50 por hora e sei de caricaturista que cobra R$150, R$170 por hora. O preço médio de tabela no mercado é de R$100 por hora. Você tem que fazer jus a quanto você cobra, porque tem artista que tem tanta dificuldade em colocar valor no seu trabalho que não consegue cobrar o valor do trabalho. Acho que isso está relacionado até com a auto-estima da pessoa. Eu tenho um estúdio, pago aluguel, contador, tenho empresa aberta. Não é fácil manter nada disso, mas se eu colocar aqui a desculpa para cobrar um valor do meu trabalho… O valor do meu trabalho não está nisso, ele está na minha capacidade de realização.

O que eu estou querendo dizer é que quem reclama do pessoal que cobra menos e atrapalha o mercado não deveria se focar nesse tipo de coisa, deveria se focar em justificar o porquê do valor cobrado por ele. Se preocupe em justificar por que seu trabalho vale R$5000 e tem um cara que cobra R$1000. Sempre vai existir alguém que cobra menos e um que cobra mais.

Quando eu comecei eu cobrava menos. Tinha consciência que não contava com a experiência necessária para fazer um trabalho igual ao de um cara que na época cobrava R$100 por hora. Hoje em dia eu estou chegando na caricatura 19.000. Os papéis que eu uso para trabalhar eu compro direto do distribuidor, em resma. Pego os pacotões, levo à gráfica e peço para cortar no tamanho em que eu preciso. Depois peço para embalar de 500 em 500. E vou numerando. Então hoje eu sei que o meu trabalho vale bastante porque eu já fiz mais de 18.000 caricaturas. Eu tenho uma certa experiência. Acho que todos devem ter o discernimento de saber avaliar: “Olha, o meu trabalho vale tanto. Menos que isso, não vale a pena fazer.”

Eu faço o meu trabalho por amor, sou apaixonado pelo que faço e não faço pensando na grana, mas é necessário. Ainda tem muito aquela questão de que se você trabalha com arte você não pode ganhar dinheiro. Acho que esse pensamento é errado. Para mim é um complexo de inferioridade, necessidade de ser aceito. Caramba, você vai desvalorizar o seu trabalho se receber por ele? Seu trabalho não vai ter valor, seu trabalho é aquele que não pode ser cobrado? Isso deve vir da época do Van Gogh, que não conseguia vender nada quando vivo. Suas obras só tiveram valor depois de sua morte.
Eu não penso assim. Para mim, fazer um trabalho não pensando em dinheiro é uma coisa, fazer um trabalho e achar que não deve receber por ele é outra. Tem gente que acaba ficando escravo da grana. Só trabalha pelo dinheiro que vai receber. Por exemplo, tem um evento que irei daqui a alguns dias e eu optei. Tive duas propostas para a mesma data. Uma para ganhar mais e a outra menos. Mas na proposta que ganharia menos sabia que o público era mais legal de se trabalhar. Então optei por ganhar menos nesse dia, sabendo que vou me sentir melhor ao realizar o trabalho. Mas tem que ter um valor. Você está colocando as suas habilidades ali. Não tem que deixar de receber por isso.


DL: É bom trabalhar com criança?

Ferrandini: É. Eu adoro! A criança só entende o que é uma caricatura a partir dos seis, sete anos. Antes disso, elas não sabem o que é aquilo. Não entendem. Eu já fiz caricatura de criança que chorou. A mãe ficou falando o tempo inteiro que aquilo era uma brincadeira e eu também fiquei reforçando que não era que ele era daquela maneira...
A faixa etária de 9, 10 anos é super complicada. Você tem que ser super sutil, porque são pré-adolescentes...
Eles têm umas tiradas ótimas. Quando eu vou trabalhar em preto e branco eu uso determinada lapiseira. Mas existe uma borracha, com refil, muito parecida com ela. Então eu estava fazendo o esboço com uma lapiseira mais fina e peguei essa outra para fazer o traço final. Tinha dois meninos observando… Aí um olhou para o outro e disse: “Nooossa, a borracha dele escreve!” Olha só! É muito mais fácil acreditar que isso é uma borracha que escreve do que acreditar que isso não é uma borracha. Criança tem cada uma. É demais! Eles são muito engraçados.

DL: Você tem algum conselho para dar para o pessoal que está começando?

Ferrandini: Eu vou plagiar o meu amigo Márcio Baraldi. Ele falou uma frase, certa vez, que é a mais pura verdade: todo desenhista, seja de quadrinhos, cartun, caricatura nasce com dez mil desenhos ruins dentro dele. Primeiro você tem que tirar esses dez mil, e eles não saem de uma vez; tem que desenhar muito. Esse é o melhor conselho que eu dou para alguém: treinar muito. Porque você só vai conseguir um nível legal de desenho e de apresentação se fizer muito. E desenho é como esporte: se você deixar de praticar, perde um pouco o traço. Pelo menos nesse desenho que eu faço, ao vivo, que precisa ser rápido.


site: www.ferrandini.com.br