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ENTREVISTA DE AGOSTO /2006 - por: Patrícia Nobeschi

 

Um brinde ao prazer... e outro à liberdade

A união de uma insaciável busca por informação e o interesse por vários estilos fazem da metáfora do liqüidificador, com a qual gosta de se auto retratar, uma imagem perfeita para representar as criações de Alex Lutkus. Um artista que, há três décadas, tem suas ilustrações publicadas pelas principais editoras do país e trabalhos reconhecidos na América Latina e Europa, onde freqüentemente é convidado a expor trabalhos em congressos.


DL: Quando e como surgiu sua relação com o desenho?

LUTKUS: Não me lembro quando comecei a desenhar. Imagino ter “nascido com um lápis na mão” e, com o incentivo da família, o desenvolvimento dessa habilidade foi uma conseqüência natural.

DL: Quando e como percebeu que com esta aptidão poderia se transformar em um profissional da área da ilustração?

LUTKUS: Minha maior felicidade é a de sempre ter tido a certeza do que gostava. Profissionalmente, nem tive tempo de pensar nisso, pois aos 14 anos recebi a proposta para trabalhar como ilustrador em uma multinacional. Uma atividade que, na época, eu sequer sabia ter esse nome! Lá permaneci  por quase 10 anos, quando percebi que poderia trabalhar como free-lancer, opção que mantenho até hoje. Uma decisão fruto de um quase inconsciente desejo de liberdade e, principalmente, da vontade de tentar realizar outros tipos de ilustrações que, pelas limitações das necessidades daquela empresa, eu não tinha oportunidade. Nesse ponto, creio que consegui concretizar meu desejo, pois devo já ter publicado bem mais de 3.000 ilustrações para as mais diversas finalidades.

DL: O que fez para aprimorar sua técnica?

LUTKUS: Não vou dizer que a formação universitária como designer gráfico não tenha ajudado, mas minha relação com a ilustração é muito, muito, mais antiga. Consequentemente, o auto didatismo foi e é, até hoje, o mais importante componente de meu crescimento. A paixão pelo que faço e o desejo de melhorar foram minha verdadeira escola. Trabalhando com o que gosto desde muito jovem, literalmente, aprendi fazendo e, antes de qualquer tipo de estudo dito convencional, meus grandes professores foram ilustradores, cujos trabalhos eu via em livros e revistas, chegando a colecionar as páginas que me encantavam. Na tentativa de obter resultados semelhantes, aprendi muito.
O auto didatismo, evidentemente, é muito tortuoso e um dos poucos pontos, talvez, no qual a faculdade me ajudou foi o de me proporcionar um universo ainda mais amplo para buscar informação. Apesar dessa postura, o mais importante é não me iludir imaginando-me uma "ilha" de sabedoria e auto-suficiência. Sou meu crítico mas feroz e sei que sempre tenho muito a aprender e isso vou buscar em livros, viagens, conversas, museus, revistas, internet ou até em uma pós-graduação, se um dia chegar a conclusão de lá ser o lugar onde encontrarei recursos para algo que deseje aperfeiçoar.

DL: Como tudo na vida, é claro que o seu trabalho também tem o lado bom e o ruim. Pode falar um pouco sobre cada um deles?

LUTKUS: Creio que, para qualquer profissional, a sorte de poder fazer exatamente aquilo que gosta é a grande recompensa e fica difícil encontrar algo de ruim. Talvez, seja justamente esse o maior problema. Como a paixão pela ilustração está tão entranhada em minha vida, às vezes, fica complicado traçar limites nítidos e é preciso cuidado para não acabar vivendo apenas para isso. Felizmente, sei que a vida tem uma moldura muito maior e muitas coisas bacanas que vale a pena experimentar.

DL: E em termos financeiros? O que poderia nos contar?

LUTKUS: Considerando que sou ilustrador há mais de 30 anos, não posso de maneira alguma reclamar, apesar das incertezas de uma atividade free-lancer.

DL: Comente um episódio que tenha acontecido ao longo de sua carreira e que considere merecer destaque.

LUTKUS: Lembro de vários, mas um bacana foi quando, por volta de 1985, conheci um ilustrador que eu admirava. Um daqueles de quem eu colecionava trabalhos publicados. O Gilberto Marchi, aerografista de fabuloso talento. Apresentado a ele, comecei a perguntar: como tinha feito tal e tal ilustração, como havia obtido um efeito em certo trabalho ou chegado a uma determinada idéia. Ele ficou surpreso por eu conhecer tanto o seu trabalho e, acredito, também muito contente. Nessa época, eu apenas sonhava em poder, como ele, ilustrar páginas de revistas.
Os anos passaram e, em 1991, ao receber uma nova turma de estudantes na faculdade onde eu dava aulas, um aluno reconheceu meu nome e começou a perguntar como eu tinha feito tal e tal ilustração, como havia obtido determinado efeito em certo trabalho... Surpreso, descobri que ele recortava e colecionava as ilustrações que eu, realizando meu sonho, a essa altura já publicava em várias revistas. Nem precisa dizer que eu fiquei muito contente. Isso me fez perceber que meus trabalhos, no melhor dos sentidos, não mais me pertenciam e a responsabilidade em fazê-los deveria ser bem maior.

  Alex Lutkus, ilustrador

Dicas do Alex Lutkus

Seja honesto com você mesmo e descubra o que  realmente gosta muito de fazer. Não desista de tornar isso uma realidade.

Olhe tudo, pesquise, pergunte, seja curioso pelo resto da vida.
Melhore a cada dia, refine os mínimos detalhes e, profissionalmente, seja extremamente pontual.

Não desanime diante dos espetaculares trabalhos que aparecem nos portfólios dos grandes profissionais. Tenha consciência de que não foram feitos como num passe de mágica, mas que são resultados de muita dedicação.

Quando a gente gosta do que faz, o aprendizado é um prazer, o aperfeiçoamento uma conseqüência e o bom é que, para fazer o que se gosta, não precisa de ninguém para mandar!

Trabalhos publicados: